A
briga com o espelho, o reflexo mais rápido, o que é feito por sua imagem, é
repetido imediatamente contra o feitor (objeto), diante disso sabemos o que
deve ser feito para que não aconteça o que nos incomoda, se não gostamos que
olhem para direita, não vamos olhar para direita, a probabilidade de que isso aconteça
aumenta de acordo com a concentração em não fazer isso, por outro lado, se não
nos atermos, um olhar para a direita pode acontecer despercebido, de forma tão ágil
que questionamos, se realmente olhamos para a direita, então a questão passa a
incomodar, no fundo sabemos se olhamos ou não para a direita, mas nossa
preocupação é com a imagem refletida, será que ela olhou?
Aquele
equilíbrio entre se ater muito ao olhar e a distração é tão complexo a ponto de
quase não existir, ele se faz no breve momento de loucura onde não sabemos se
somos a imagem, ou imagem refletida, se o reflexo controla nossas ações ou
nossas ações são controladas pelo que será refletido.
Tudo
pode ser diferente se o responsável pelo reflexo for outra coisa se não o
espelho, no mito da caverna de Platão, o foco são nas sombras de coisas fora da caverna,
a relação com o próprio reflexo, ou porque não emprestar a palavra (não todo o
conceito) “sombra” do Jung no lugar de reflexo. A sombra não tem tantos
detalhes como a imagem refletida de um espelho, se olhar para a direita só com
o olho isso não será refletido na sombra, sabemos de certa forma da limitação
da sombra, então nos permitimos alguns “abusos”, mas a questão se da na
transição de quando somos a sombra nos olhando, quem controla quem? O objeto ou
a sombra? Para se livrar da sombra basta viver no escuro, porem, não somos uma espécie
adaptada para a escuridão, precisamos da luz, e essa nos trás a sombra?
Só
nos permitimos a escuridão quando o momento não é nosso, e sim do inconsciente,
ao dormir. A escuridão é uma sombra que esta tão perto de nós que não
conseguimos ver o contorno que da forma, ficamos tão “fracos” que dormimos, ou
seja, nos entregamos a sombra, algumas vezes essa entrega é prazerosa, outras extremamente
cruel.
A
sombra é um “negativo igual”, nós precisamos de luz, ela existe da mesma forma,
mas na ausência de luz. Existimos em tempos diferentes porque em alguns
momentos não há luz. Nos é devolvido no sonho os reflexos de outros tempos ou
momentos e por sermos presos ao reflexo imediato, na maioria das vezes não
entendemos ou ficamos perturbados com ações que nós ou (e) nossa sombra fez.
Na
relação coletiva nossa sombra acaba por se misturar com outras, os movimentos
são conhecidos, mas estão sendo feitos em tempos diferentes, algumas vezes deduzimos
o movimento por olharmos a partir de nosso tempo, conseguimos interagir de
forma menos conflituosas com o objeto (outros) do que com as sombras. Hora é a
sombra do mito da caverna, hora é a sombra do conceito de Jung.
A
sombra talvez seja nosso demônio da guarda.